30 de dez. de 2010

COM OS OLHOS DO CORAÇÃO



Quem disse que não mais enxergava?
Enxergava com as mãos.
Enxergava com a audição.
Via com o coração.
Lá vai ele pelas ruas.
Vai para a Rádio.
Vai para o trabalho.
_ Oi, seu Maciel! _ É José?"
_ Sim. É José!
Quem olha com o coração nunca erra.
Entre os filhos, um filho também.
Todos irmãos, todos amigos, todos unidos.
Maior herança não deixou.
Maior herança não há.
Deixe-me colocar mais uma música.
Canta, Clara Nunes, com seu fã número um.
É festa no céu.
Deixe-me fazer mais uma pergunta.
Que flagra! Que flagra!
Vejo você ao lado dos seus pais.
É felicidade demais!
Aqui, saudosos, ficamos todos.
Mas não pense que nos desesperamos.
Morrer, afinal, é apenas não ser visto.
Continuamos sentindo sua presença.
Nos quartos, na cozinha, na sala, ao lado do som.
Escuto mais uma música e sinto a sua alegria.
Fico feliz, fico triste, fico feliz.
Chegou a hora do seu Benedito.
A hora da partida.
A hora de dizer: “muito obrigado”.
Todos reconhecemos o seu valor.
Não houve tempo para dizer mais.
Tínhamos, por certo, muito a dar.
Agora, receba a nossa saudade
revestida de um amor que só
os grande merecem,
só os diferentes sentem.
Barbalha, 28 de março de 2003