17 de jan. de 2021

IMPERATIVO PRESENTE PARA O NOVO ANO


                Que bicho esquisito o homem

Quando não pensa no que faz,

Sem medir consequências,

A meta sempre sugere mais.

 

Cada um tem qualidades e defeitos.

Somos quem podemos ser?

Regra e exceção são paralelos.

Quem tu pensas que não és?

 

Joga essa arrogância fora.

Tu não és melhor do que ninguém.

                 Supervaloriza o dinheiro, que pena...

                 Felicidade não está à venda.

 

Revisita então o teu umbigo.

Dá um basta nessa tolice.

Enxerga pela razão.

Que queres tu dessa vida?

 

Viver pode ser um mundo mágico.

A magia está nos pequenos gestos:

Um toque, um olhar, um aceno,

O perdão, a paz, o amor, a saúde...

 

Essa verdade pode abrir tua ferida,

Mas ninguém sabe a data da partida.

Por que tu não paras um pouco?

Quem manda nas tuas escolhas?

 

Abraça os teus pais, brinca com as crianças,

                 Adia a reunião, namora, beija a tua paixão.

                 Sê solidário, compreensivo e mais tolerante.

                 Investe mais nas relações e menos no poder.

 

    É preciso dar o primeiro passo.

    Decidir querer um novo tempo.

    Convém ler, estudar, refletir...

    Semear a semente do bem.

 

    Não entres nessa onda midiática.

    Há um sistema de olho em ti

    Para dizer o que tu deves pensar.

    Para dizer o que tu deves querer.

 

    Não aceites essa imposição.

    Conhece o jogo do mercado.

    O que ele quer, o que está por trás?

    Quem oprime e quem é opressor?

 

    Liberta tu dessas vaidades.

    Anda por outras pontes.

    Compartilha apenas o útil.

    Humaniza tuas atitudes.

 

     Ser feliz vale mais do que ouro.

    Está no simples, no recomeço,

    Na justiça, no discernimento,

    Nas virtudes, nos valores.

 

29/12/17

 

 

 


19 de jun. de 2018

QUEM SABE?


Acabo de ler com muita alegria mais um livro de Rubem Alves. Desta feita, DO UNIVERSO À JABUTICABA. De leitura fácil, o pedagogo, poeta, cronista, ensaísta, contador de história e psicanalista usa com sabedoria  ímpar cada palavra que escolhe. São profundas reflexões. Na verdade, uma coletânea de ideias sobre como ele vê a vida nos mais variados aspectos. É de ficar lamentando ao chegar o epílogo.
Então, trago à tona alguns dos seus encantadores pensamentos, pontos  de vista que enobrecem qualquer ser realmente humano. Como sou amante da boa música, logo no início fiquei reflexivo quando ele diz: “Ouvir música é encontrar-me com a beleza que existe dentro de mim”. Então pensei sobre o excesso de feiura de tantos que optam por músicas tão pobres em letra e em melodia. Canções que refletem preconceitos e intolerâncias sociais gritantes. Só mesmo uma educação musical escolar para reverter essa realidade.
Quase ninguém fica à vontade quando precisa falar sobre a morte. Não somos educados para falar sobre isso. Como pode, algo tão real, tão cotidiano, tão irreversível ser visto de forma tão distante? Sobre ela, o psicanalista evidencia: “...a Morte nunca fala sobre si mesma. Ela sempre nos fala sobre aquilo que estamos fazendo com a própria Vida, as perdas, os sonhos que não sonhamos, os riscos que não tomamos (por medo), os suicídios lentos que perpetuamos. Embora a gente não saiba, a Morte fala com a voz do poeta. Porque é nele que as duas, a Vida e a Morte, encontram-se reconciliadas, conversam uma com a outra, e desta conversa surge a Beleza... Ela nos convida a contemplar a nossa própria verdade. E o que ela nos diz é simplesmente isto: “Veja a vida. Não há tempo  a perder. É preciso viver agora! Não se pode deixar o amor para depois...”  Para que mais?
Sempre achei um eufemismo pernicioso e cruel dizer que a terceira idade é  a melhor idade. Precisamos cuidar melhor dos nossos idosos, e respeitá-los é um bom começo. Sobre essa fase da vida, o poeta esbraveja: “Na velhice, a pele deixa de ser a superfície exterior  dos músculos e passa a ser  a superfície  exterior da alma. ...Pois a alma é apenas isso: o lugar onde  os poemas estão guardados. ...Os velhos terão  rosto de criança se a  criança eterna continuar viva dentro deles.” Quanta sabedoria, não?
Embora o seu livro seja todo sentimento, ele abre um capítulo especial que nos aquieta e nos faz mais sensíveis. Eis alguns retalhos muito  inspirados desse tão querido cronista: “Tudo o que comove deve ser repetido. A saudade  é um buraco na alma que se abriu quando um pedaço  nos foi arrancado. Mas alegria é um sentimento manso  que não depende  da presença  do objeto.  O corpo humano também se alimenta de ausências. Amar é ter um  pássaro pousado no dedo. Deus é a presença de uma ausência. Para mim, rezar é ser todo sentidos: ver, ouvir, sentir os perfumes, sentir os “toques”. Não é lindo, tudo isso?
Tenho sido um árduo combatente ao excesso de conteúdos que se estuda na escola sem serventia para a formação de cidadãos competentes e humanizados. Sobre essa temática, o pedagogo radicaliza. A memória é um escorregador de macarrão: o que não vai ser comido, ela esquece.  Há pessoas que não esquecem nada: memória perfeita. Geralmente esse fenômeno se observa em idiotas. A educação se divide em duas partes: educação das habilidades, educação da sensibilidade. Sem a educação da sensibilidade todas as habilidades são tolas e sem sentido. Educação não é transmissão de uma soma de conhecimentos. Conhecimentos podem ser mortos e inertes: uma carga que se carrega sem saber sua utilidade e sem que ela dê alegria. Educar  é ensinar a pensar, isso é, a brincar com os conhecimentos, da mesma forma como se brinca com uma peteca. Que posso dizer mais?
Certamente, por não se perceber a importância da sensibilidade e da aprendizagem útil nas escolas; provavelmente, por não se ter tido uma educação reflexiva e “brincante”; por não se saber ler, pois mesmo os que se acham intelectuais, não os são quando só leem o que lhes interessam e lhes confortam,  temos visto tanto ódio, tanta discriminação, tanta alienação. Que triste fica um país de maioria cristã  tratando seus compatriotas com intolerância e ódio. Que triste fica um país cujos interesses midiáticos são quase sempre espúrios. Que triste fica um país cuja Justiça é geralmente caolha. Quem sabe, um dia, possamos ir do Universo à Jabuticaba?


SOMOS CULTURA


Lembro, com muita saudade, das participações efetivas dos grandes Patativa do Assaré e Luiz Gonzaga, entre outros, nas festas de Santo Antonio do passado. Infelizmente, outras gerações não tiveram o privilégio de aplaudi-los de perto. Mas essa festa somos todos nós. As trezenas, o Pau da Bandeira, os mateus, os penitentes, as comidas típicas, o reisado, as ruas ornamentadas, os abraços aos amigos que moram longe...
Não devemos esquecer de que isso nos identifica. Oxalá, que possamos revigorar e manter os grupos folclóricos, os shows dos artistas regionais e todo o complexo que é a nossa cultura popular.  Caso contrário, perderemos nossa identidade.  
Que a Festa de Santo Antonio seja motivo de estudo das universidades e que elas e o poder público provoquem encontros sistemáticos com  empreendedores de grandes eventos nacionais, com artistas de todas as áreas, com o povo em geral. Somente juntos, poderemos cuidar, de fato, do nosso grandioso patrimônio e salvaguardar nossa identificação cultural. Fica a dica em nome do amor ao torrão natal.

Francisco Aldo Luna Gomes                                                                                            
                                                     EDUCADOR
MAIO DE 2017


IMPERATIVO PRESENTE


Que bicho esquisito que é
Quem não pensa no que faz,
Sem medir consequências,
Só tem olhos para si.

Cada pessoa é um universo, eu sei
Uma vez ou outra, quem não erra?
Regra e exceção são paralelos.
Quem você pensa que não é?

Jogue essa arrogância fora.
Não julgue o livro pela capa.
Você não é melhor do que ninguém.
Só valoriza o dinheiro, tão pobre...

Revisite assim o seu umbigo.
Dê um basta nessa tolice.
Não pense que vale mais.
Tenha coragem de fazer melhor.

A felicidade não tem preço.
Está nas pequenas coisas:
Um toque, um olhar, um aceno,
No perdão, na paz, no amor...

Sei que pode doer abrir essa ferida .
Mas não sabemos o quanto viveremos.
Por que você não para um pouco?
Quem manda no seu tempo?
  
Abrace os seus pais, brinque com as crianças,
              Adie outra reunião, namore ouvindo aquela canção.
              Seja solidário, amigo, companheiro, verdadeiro.
              Invista nas suas relações e menos no poder.

É preciso dar o primeiro passo.
Decidir que quer o novo agora.
Escolher mesmo a dignidade.
Sim, semear a boa semente.

Não entre nessa onda midiática.
Há muita gente querendo usá-lo.
Dizer o que você deve comer.
Dizer o que você deve vestir.

Não aceite essa imposição.
Perceba quem o influencia.
O que quer, o que está por trás.
Quem oprime? Quem é o opressor?

Liberte-se dessas vaidades.
Não mostre o que não é.
Expresse o que deveras sente.
Publique apenas o necessário.

A felicidade vale mais do que ouro.
Está no simples, no recomeço.
Na cumplicidade, discernimento.
Não ao consumismo, não à meritocracia e fim.
29/12/17

BENEDITO GOMES DO NASCIMENTO - UMA LINDA HISTÓRIA DE AMOR E ALEGRIA


Benedito Gomes do Nascimento nasceu na cidade de Jardim-CE, no dia nove de março de 1931. Filho de Joaquim Francisco e Ana Gomes. Teve uma vida bastante humilde. Cresceu vendo seu pai fazer fogos de artifício, mas não teve o prazer de conviver muito tempo com sua mãe, uma doméstica que foi para o andar de cima quando ele tinha treze anos de idade. Assim, foi educado pela irmã Maria, a  mais velha numa prole de doze filhos.  Depois, em um segundo casamento, seu pai ainda lhe deu mais oito irmãos.
Seus primeiros contatos com as letras foi na Escola Reunida, em Jardim. Lá, fez o que hoje chamamos o Fundamental Anos Iniciais. Nesse tempo, foi colega do amigo e compadre Napoleão Tavares Neves, grande médico e historiador. Em Juazeiro, via supletivo, concluiu o restante dos seus estudos Fundamental e Médio.
Em 22 de julho  de 1956, casou-se em Barbalha com Maria Zenilda Luna do Nascimento. Deste enlace, nasceram os três primeiros filhos em Jardim. São eles: Carlos Wagner Luna Gomes, Maria Neery Anne Luna Gomes e Francisco Paceli Luna Gomes. Nessa época era funcionário balconista da Farmácia Cruz Vermelha, de propriedade do Sr. Aristides Ancilon Aires de Alencar, onde permaneceu no período entre 01/01/1952 a 30/01/1960. Após o casamento, e em sociedade com a ajuda do padrasto de sua esposa, Aderson Sabino Rocha, abriu uma farmácia, a Cândido Gomes & Cia em 1960. Sem tino comercial e extremamente solidário com o povo menos favorecido da época, entrou em falência dois anos depois. Seu amigo Napoleão  evidenciou, certa vez, que era comum, em altas horas, vê-lo entregando remédio sem nem abrir a porta da farmácia completamente, apenas o suficiente para receber a receita, entregar o remédio e ouvir o “amanhã eu venho pagar...”  Ele residia no primeiro andar e a farmácia funcionava no térreo em frente à Praça Filgueira Sampaio.
Sem opção de emprego, resolveu ir com a família tentar a sorte em Serrita-PE. Em mais uma sociedade, agora com o senhor Chico Romão, e através de amizade com o compadre José Franco, abriu nova farmácia. Nessa época, havia grandes problemas de falta de água naquela cidade. Os filhos adoentados e sem assistência médica adequada, foi obrigado a voltar para Barbalha quatro meses depois. Ao retornar, conseguiu emprego na empresa Novo Mundo – Companhia Nacional de Seguros, no período de 01/09/63 a 30/05/1964. Em seguida, foi trabalhar no escritório da Fábrica de Mosaicos Incas, de propriedade do Sr. João Gonçalves Primo. Lá, ficou até 1970, saindo para a CECASA, Cerâmica do Cariri Sociedade Anônima, prestando seus serviços também em escritório. Dois anos depois, foi contratado pela empresa Barreto Sampaio Comércio Limitada, a atual Casa Sampaio e lá ficou no período entre 01/01/1972 a 14/03/1974. Aconselhado e motivado pelo Dr. Napoleão, em 1974, fez o concurso para o então INPS, Instituto Nacional da Previdência Social. Passando entre os cinco primeiros lugares, assumiu como auxiliar de serviços Médicos na agência de Juazeiro do Norte.  Em 31/03/1974, assumiu em Barbalha o posto
de Servidor Residente do INPS(INSS hoje.). Com o apoio de sua esposa e da Sra. Eunice Santana, prestou relevantes serviços aos hospitais, à saúde pública, ao povo. 
Nos anos noventa recebeu o título de cidadão Barbalhense numa proposição da então vereadora Marlene Grangeiro. Foi secretário de diversas entidades, como o Conselho   Vicentino, do Centro de Melhoramento de Barbalha e também da Câmara Municipal...
Tendo sido proprietário de farmácia em Jardim e em Barbalha, destacou-se pela sua habilidade em aplicar injeção. Tinha mãos macias e um humor sempre vibrante. Muitas vezes, pernoitava na casa de doentes acometidos de tuberculose e de outras enfermidades de época, salvando vidas.
Católico fervoroso, participou do Grupo de Casais com Cristo, criado pela igreja com a finalidade de unir os casais numa vertente ainda mais solidária e de solidez matrimonial. Logo, tornou-se um dos primeiros ministros da Eucaristia. Durante muitos anos, secretariou também os leilões da tradicional Festa de Santo Antônio.
Benedito sempre amou a música, a família, a Língua Portuguesa e a prestação de serviços. Realizava-se em ver os outros felizes, satisfeitos. Não havia grosseria no seu dicionário. Muito pelo contrário. Ao encontrar amigos nas ruas de nossa cidade e no seu torrão natal, ele sempre os parava para contar um fato jocoso. Ele sentia necessidade de ver os outros contentes.
Foi um pai que falava pelos gestos sempre harmoniosos e éticos. Foi um avô participativo no apoio à formação de seus netos, priorizando sempre tempo para brincar e vê-los crescer na paz, no amor, numa vida cristã.
Foi um marido carinhoso e engraçado. Fazia piadas até nos momentos que exigia seriedade. Seu olhar, porém, dizia muito...
De fato, Benedito fez da vida um grande brinquedo. Passava horas gravando fitas cassetes com músicas de alto nível só para presentear os amigos e começar uma boa conversa.
Certo dia, começou a esquecer onde morava. A audição foi perdendo nível. A alegria foi dando lugar a um passado mais distante. Como filho que perdeu a mãe quando ele ainda era criança, chamava por ela e queria voltar para “casa”. Mesmo com todo o esforço da família em busca do tratamento do Mal de Alzheimer, em menos de três meses, acamou-se e passou aproximadamente nove anos apenas nos dando o prazer de vê-lo fisicamente. Não sentia dores físicas. Não nos conhecia. Não falava. Mal abria os olhos. Mas o que fez em vida saudável, deixou marcas indeléveis em cada membro familiar, e da forma mais bonita. No dia 5 de abril de 2017, numa madrugada de quarta-feira, ele partiu definitivamente. Cumpriu a sua missão de agente do amor, da alegria, do bom senso e da ética.

UMA FESTA DE PRIMEIRA



Patrimônio imaterial brasileiro pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), a Festa do Pau da Bandeira é um misto de fé e cultura popular. E não é só isso. É brilho, sonho, confraternização, dividendos econômicos e muito mais.
Segundo o prof. Ms. Océlio Teixeira de Souza, na sua dissertação de mestrado (UFRJ-2000): A Festa do Pau da Bandeira de Santo Antônio de Barbalha (CE) - entre o controle e a autonomia (1928-1998), foi o Padre José Correia que  instituiu o Cortejo do Pau da Bandeira, no seu primeiro ano de paroquiato. Provavelmente,  o hasteamento da bandeira por ocasião da festa do padroeiro já acontecia. Mas o sucessor do Pe. Antônio Jathay de Sousa queria mais do que o que já se fazia, tradicionalmente, nas festas juninas e renovações. Além do hasteamento, o cortejo denotaria outra dimensão e motivação para aguçar a fé nesse grande taumaturgo. Com um imponente mastro hasteando no patamar da igreja, a bandeira de Santo Antônio, não tinha como não saber que a Festa havia começado, era uma simbologia da religiosidade de um povo que só crescia.
Vale ressaltar que muita coisa mudou desses tempos para cá. Nos anos noventa, o cortejo passou a ter outros apetrechos. O que significava mais devoção ao santo, passou a ter também uma conotação profana incisiva: músicas, bebidas, comidas... É o que o mestre Océlio chama de carnavalização da festa. O que, naturalmente, provocou durante muito tempo, uma resistência diocesana. Hoje, há convergência. Mas também há o que se melhorar.
Para uma tradição  nonagenária, a festa traz autoestima para os barbalhenses e visitantes. Milhares tornam-se iguais na alegria, na devoção e na valorização dessa manifestação tão intensa e que tão peculiarmente nos identifica.
Ao reconhecer o crescimento vertiginoso da festa do Pau da Bandeira, entendo que precisamos olhar para um futuro próximo. Convém um estudo analítico sobre ela. Pela dimensão atual, não podemos nos esquivar dessa responsabilidade. E não estou me referindo a reuniões preparatórias, alguns dias antes dela. Vejo como necessária a realização sistemática de workshops com profissionais gabaritados daqui e dos grandes centros do país. Precisamos das universidades locais, das opiniões de sociólogos, engenheiros, agentes de cultura, dos carregadores, dos artistas, dos camelôs, dos que fazem a segurança, dos representantes da igreja, do povo... Além disso, não podemos nos abster de ouvir em pesquisa os nossos turistas. Urge, definitivamente, um olhar científico para a nossa maior festa.
Certamente, quem vem nos visitar espera ver e viver devoção, organização, acolhimento, segurança, as melhores condições de hospitalidade e uma programação artística de ótimo nível. Mas vem também em busca de informação. Onde estão os cicerones da cultura popular? Quem fala sobre nosso poderio arquitetônico? Quem evidencia nossas riquezas naturais? Quem detalha a origem de cada grupo folclórico? Quem conta a nossa história? A festa do Pau da Bandeira é uma oportunidade de ouro para compartilharmos nossas riquezas com o “mundo”, desde o alvorecer.
Por fim, além de agradecer e parabenizar aos que há tanto tempo contribuem diretamente para o seu êxito, reitero  o desejo de ver, no mais curto espaço de tempo possível, uma melhor distribuição das barracas de camelôs, uma maior quantidade de banheiros químicos, um número bem menor de veículos nas ruas onde ficam os palcos, seguranças e policiais em demasia, instalação de lixeiros, ambulâncias em diversas ruas, proibição extremamente rigorosa de carros com sons em altíssimos decibéis, diversos agentes de informação, prioridade aos artistas  que cantam músicas convergentes à cultura regional etc.
Que no vinte e sete de maio vindouro, possamos, mais uma vez, erguer a bandeira de Santo Antônio em nome da fé e da cultura popular, unindo o profano e o religioso, sem esquecer que a festa é originariamente religiosa, mas também o melhor momento de fazer valer uma outra sua essência – a cultura popular. Viva Santo Antônio! Viva a cultura! Viva a festa do Pau da Bandeira!

Prof. Ado Luna

26/04/18





NÃO À COPA


Numa viagem introspectiva nesta tarde, questionei-me sobre tamanha desmotivação para a Copa da Rússia. Não lembrei, em nenhum momento, o sofrível 7 a 1 que a Alemanha nos abateu em 2014. Outras derrotas já foram até maiores, como em 1982, quando a melhor Seleção que vi jogar, não foi campeã, perdendo para a Itália de 3 a 2 ainda na segunda fase.
Devo ter assistido, com entendimento, cerca de dez ou onze Copas. Todas de forma muito entusiástica. Mas essa não estou com o desejo de vê-la efusivamente. Certamente, assistirei aos jogos, pois a arte que está nos esquemas táticos e nos atletas me atraem. Confesso, porém, que não me vejo torcendo. Não me percebo com a emoção do passado.
O Brasil tem um pouco mais de duzentos e nove milhões de habitantes. Esses números retirados ipsis litteris  do site agenciabrasil.ebc.com.br, fazem-nos refletir. Vejamos:
·         25,4% da população vivem na linha de pobreza e têm renda familiar equivalente a R$ 387,07.
·         As mulheres ganham, em geral, bem menos que os homens mesmo exercendo as mesmas funções.
·         Por raça e cor: os trabalhadores pretos ou pardos respondem pelo maior número de desempregados, têm menor escolaridade, ganham menos, moram mal e começam a trabalhar bem mais cedo exatamente por ter menor nível de escolaridade.
·         Um país onde a renda per capita dos 20% que ganham mais, cerca de R$ 4,5 mil, chega a ser mais de 18 vezes que o rendimento médio dos que ganham menos e com menores rendimentos por pessoa – cerca de R$ 243.
·         No que diz respeito à distribuição de renda no país, a Síntese dos Indicadores Sociais 2017 comprovou, mais uma vez, que o Brasil continua um país de alta desigualdade de renda, inclusive, quando comparado a outras nações da América Latina, região onde a desigualdade é mais acentuada.
·         Em 2017, as taxas de desocupação da população preta ou parda foram superiores às da população branca em todos os níveis de instrução.
Poderia ainda lamentar as privatizações indevidas do governo atual; o ódio reinante entre brasileiros que pensam diferente; o absurdo e diário ataques aos negros, índios e homossexuais; o comportamento corruptível dos políticos; a Justiça seletiva; o sistema educacional que não forma leitores, escritores, oradores, pesquisadores nem pensadores; a exploração monetária das igrejas da “prosperidade”; a mídia a serviço do capital; a desvalorização da cultura popular; a evolução do mercado fonográfico com foco no topo do idiotismo; a inconsciência ambiental;  o desperdício de mais de 40 mil toneladas de alimentos por dia; a perda de mais de sessenta mil brasileiros assassinados só no ano passado; 44% da população brasileira não lê e 30% nunca comprou um livro (dados de 2016, segundo pesquisa Retratos da Leitura); Brasil tem 12 assassinatos de mulheres e 135 estupros por dia, mostra balanço  mais de treze milhões de brasileiros estão desempregados, enquanto o técnico da seleção recebe R$ 875.000,00 mensais só da Confederação Brasileira de Futebol, e o patrimônio líquido de Neymar passa de noventa milhões de euros...
Claro que muitos são problemas velhos também de outras copas, mas confesso que dói muito ver tantos  brasileiros de volta ao desumano mundo da miséria, e outros que de lá nunca saíram; dói muito  ver  um número tão grande de cristãos que  alimentam o rancor e a devoção ao poder, ao dinheiro; dói muito  ver tantos  defenderem uma ditadura militar sem saber o que dizem; dói muito assistir aos elevados números de dependentes químicos sem nenhum combate governamental eficaz... Percebo que todos esses e outros problemas são a realidade de um país que padece e que não mudará  soerguendo uma Copa. Precisamos sair desse berço que não tem nada de esplêndido. Como diria Vandré: “Quem sabe faz a hora, não espera acontecer.” Assim, daremos novo vigor para a nossa autoestima. Deixaremos para trás essa imagem de pato que se construiu recentemente.  Eu prefiro a luta à diversão. Meu clima é de dor e tristeza. Mas ainda alimento a esperança. E você?  
ALDO LUNA – 11/06/18


2 de dez. de 2015

NÃO SÃO SÓ PALAVRAS





Acabo de ler com muita intensidade o livro Défict  de Atenção Tem Solução, pela editora Civilização Brasileira, de Carin Silveira, pedagoga, psicopedagoga e psicanalista formada na USP. Com ele, reflexões que esclarecem com contundência muitos aspectos relacionados às dificuldades de aprendizagem.
Mãe de uma bebê nascida precocemente, com baixo peso, problemas de oxigenação cerebral e vindo falar apenas após os quatro anos, o amor maternal fez enorme diferença, principalmente  quando essa criança entrou para a vida escolar.
Com dificuldades graves de atenção, a mãe foi buscar na ciência conhecimentos que pudessem escrever uma outra história para a sua filha. Em síntese, descobriu que diversos fatores e cuidados fortalecem o sistema nervoso saudável, condição sine qua non para o combate eficiente aos que têm TDAH, transtorno de déficit de atenção e hiperatividade. São eles: estimulação diversificada, que forma diferenciados caminhos neurais; pertencimento, valorização e sentir-se amado; movimento e sol; rotina diária, disciplina, regras e limites; suficientes horas de sono, especialmente antes da meia noite; leite materno; atenção ao papel nocivo de açúcares e farinhas refinadas;   cuidados com alimentos com excesso de agrotóxicos e substâncias neurotóxicas em geral; alimentação apropriada - sais  minerais e vitaminas e controle das verminoses.       
Com o êxito de seus estudos, muito bem compartilhado pela sua mãe cientista e o seu pai médico, Carin venceu. Hoje sua filha é médica e feliz.
Tenho lido, nesses últimos anos, que os transtornos de aprendizagem têm se multiplicado nas escolas brasileiras.  Infelizmente, os de indisciplina também. A verdade é que a família precisa refletir o que quer, e o sistema educacional precisa de mudanças urgentes, com novo currículo, com conteúdos úteis focados na leitura, na escrita, na formação de pensadores, de cidadãos.
Não há como aprender quando a criança não está feliz. Não há como educar  bem   sem a experiência prática do amor, do limite, da motivação, de uma alimentação adequada em casa e na escola.
 Fico imaginando, que se pedíssemos às nossas crianças para avaliarem os seus pais, quem passaria por média? Quem tiraria pelo menos a média nas seguintes disciplinas: ler historinhas; brincar; assistir tv com eles; conversar; ajudar nas tarefas; passear; tempo para beijar e abraçar os filhos; tempo para escutar as dúvidas; tempo para dizer não...?
Não nos parece paradoxal exigir que elas consigam ser dez, ser nove, ser oito, ser sete no conhecimento e na felicidade? Que tal permitir a ficha cair e construir uma nova história a partir de agora? A escola quer e precisa ser parceira em muitos capítulos para o bem de nossas crianças. Tenhamos, pois, nossos filhos com foco no para-brisa, não no retrovisor de nosso dia a dia.
Assim sendo, poderemos construir, num futuro próximo, uma sociedade mais solidária, mais amorosa, menos materialista, mais humana, mais feliz.     
Aldo Luna - 16/10/15                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                               





13 de fev. de 2015

CONTRA O SISTEMA



Estou bem próximo de completar trinta anos no mister de lapidar pedras preciosas. Na verdade, no firme propósito de ajudar a formar cidadãos do bem.  Gosto mesmo de ser chamado Educador, mesmo reconhecendo que essa é obrigação de pai e mãe. Afinal, não vejo valor em “conhecimento” dissociado de boas maneiras, de gentileza, de educação, de cidadania. Sem qualquer ímpeto de arrogância, característica  que abomino veementemente, sinto-me na condição de ter algo a acrescentar sobre educação escolar, sobre relações familiares, sobre um país em transe.
Às vezes penso que bebo da água da utopia. Mas tento imaginar o que passa no coração daqueles que não percebem que a felicidade é algo bem mais simples, bem mais próximo e gratuito. Acho que dar atenção aos filhos, curti-los com afetividade e autoridade, aliás, ter tempo para eles, não é impossível, é uma questão de prioridade. Onde está a real diferença entre amar os filhos e amar o dinheiro? Até que ponto ganhar mais representa um atestado de realização pessoal? O que se prefere: a alegria de um filho saudável e capaz  ou o sonho de se transformar num Tio Patinhas?
Vivemos um novo tempo, o tempo da era digital. Sem dúvidas, muita coisa mudou para melhor...  A tecnologia vem transformando o nosso cotidiano.  Tenho visto, entretanto, crianças com menos de cinco anos usando smartphones e tablets. O que sabemos sobre o bem e o mal disso? Por que se compra sem investigar os reais benefícios dos mesmos? Quantas horas por dia nossos jovens dedicam aos joguinhos eletrônicos e às redes sociais? Quanto tempo eles têm  dormido por dia? Quem sabe ler? Quem sabe escrever? Quem sabe se expressar oralmente? Quem tem discernimento? Quem está no comando? Estamos construindo juntos esse novo tempo...
O sistema educacional brasileiro, com práticas pedagógicas antiquadas e de conteúdos inúteis, em sua maioria, sem serventia para a formação de cidadãos conscientes e pensadores, marcha firmemente para a construção de uma sociedade inapta e torpe, cada vez mais. Por que a falta de ética campeia governos e empresas? Por que só em 2014 perdemos mais de 44 mil brasileiros por mortes no trânsito? Por que estamos nos tornando um país de obesos? Por que nossas fontes estão secando e água está se transformando em moeda rara nos maiores centros econômicos do Brasil? Por que a mídia manipula tanto o nosso povo? (...)
Na verdade, o momento requer profunda reflexão e ação dos governos,  dos estudiosos, das instituições e da sociedade civil como um todo. É urgente a mudança de uma grade curricular que contemple conteúdos exequíveis e úteis para a formação de pensadores e de uma nova geração de brasileiros do bem. Caso  contrário, estaremos fadados a perder de 7 x 1 para os gananciosos, inescrupulosos e parvos de ontem e de hoje.

Aldo Luna – 13/02/15






21 de abr. de 2014

ADOLESCER



ADOLESCER
A insegurança, o medo, a angústia... Não é fácil adolescer. Segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde), o período da adolescência acontece entre os 10 e 19 anos. E as mudanças físicas, fisiológicas, comportamentais são intensas tendo em vista a ebulição hormonal que o adolescente produz nesse período. Diria que é um verdadeiro parto  Fórceps esse tempo de mutação. O que fazer para que se administre sem maiores transtornos essa fase?
Certamente, uma relação de confiança entre os pais e o adolescente é fundamental. Há que se entender essa travessia de preguiça, de desmotivação, de desorganização, de mau humor ou de euforia. Ele precisa expressar o que sente para melhor  ser orientado.  Não é o momento de sermões intermináveis, de radicalismos infindáveis, mas de acolhimento, de compreensão e de reflexão. Afinal, toda mudança traz alguma insegurança. Então, senhores pais, abram as portas para o diálogo. Escutem o que fala o coração de seu filho. Sejam exemplos de afetividade e responsabilidade.
Ao adolescente, sugiro que compreenda melhor o tempo que está passando para  aproveitar os aprendizados que essa fase lhe proporciona. Para combater a sensação de impotência e ansiedade, estabeleça metas para a sua vida profissional e  pessoal. Dimensione para mais seus desejos de êxito e lute para realizá-los. Acredite na força imensurável da vontade ora adormecida em você. Acorde-a para se libertar e  destruir todo pensamento que não seja do bem. Outrossim, procure compreender as imperfeições dos humanos, daqueles que estão ao seu redor diariamente. Todos nós erramos, nos entristecemos, nos alegramos, caímos, levantamos, choramos e rimos. Tudo passa...
Vale a pensa saber, a alegria de viver está em você. Descubra-a no seu amor por si mesmo. No amor dos seus pais, irmãos e amigos que nem sempre sabem expressá-lo. O sentido da vida pode estar na capacidade de sempre poder evoluir, de combater o bom combate. O sentido da vida pode estar até em situações de nervosismo, de ânsia, de medo, nas mãos geladas, na ruborização... que com o tempo, você vai ver, ficará num passado e entrará na sua conta da experiência... O sentido da vida pode  estar no sonho de um dia  educar um filho e vê-lo ético e sabendo enfrentar bem os obstáculos que lhe aparecem quando adultos. O sentido da vida pode  estar na possibilidade de um emprego que lhe dê independência, prazer e dignidade. O sentido da vida pode estar na música que o emociona, no livro que o faz ver o outro lado; na partida de futebol que seu time é campeão; na conversa boa com os amigos... O sentido da vida pode estar na possibilidade de levantar quem acaba de cair. O sentido da vida pode estar numa namorada que o deixa deslumbrado. Afinal, o sentido da vida pode estar em muitos lugares, basta que você faça as escolhas que o tornem mais humano.  
Aos professores, que percebam que  alunos não são robôs. É indispensável fazê-los pensar, criar e escolher com liberdade e sabedoria.  O principal não é ganhar mais vagas nas universidades, mas proporcionar aos discentes experiências valiosas de crescimento interior com potencial nível de competência e análise.  Caso contrário, veremos crescer ainda mais o numero de profissionais insensíveis, antiéticos e nem sempre preparados. Os educadores precisam ir muito além do conteúdo para, em entendendo os jovens, fomentá-los para uma aprendizagem verdadeiramente útil.          
Abramos as portas para a felicidade...

                                                                                                                Aldo Luna
Barbalha, 21 de abril de 2014
Aldo Luna


24 de ago. de 2013

MIDIÁTICO E IMAGÉTICO, MAS FELIZ?

Hoje escutei uma música que me fez refletir sobre todos nós, brasileiros, cearenses, caririenses. E o que motivou essa reflexão foi a composição do inesquecível Gonzaguinha, que nos presenteou em 1988, no seu álbum Corações Marginais, a música É.  Logo no seu trecho inicial ele evidencia:
“É! / A gente quer valer o nosso amor / A gente quer valer nosso suor / A gente quer valer o nosso humor / A gente quer do bom e do melhor... /A gente quer carinho e atenção / A gente quer calor no coração / A gente quer suar, mas de prazer / A gente quer é ter muita saúde / A gente quer viver a liberdade / A gente quer viver felicidade...”
Então me veio a dolorosa realidade desses dias repetidos de notícias sobre violência e corrupção. Uma série de indagações ocorreu-me: onde está a felicidade para todos esses autores e corresponsáveis pelo agravamento desse estado de involução humana? Quem sente na pele o desejo de mudança, o que tem feito? Não temos sido tão inábeis e omissos? Até quando continuaremos assistindo ao mesmo filme com personagens diferentes em que a violência sempre é a protagonista? Quem tem cara de panaca nessa história tão mal escrita onde reina o materialismo exacerbado?
Nas escolas, a prioridade é o sucesso no vestibular. As melhores escolas estampam nos outdoors mensagens festejando a melhor estatística. Mas quem exalta a melhor prática pedagógica oriunda de uma formação que combate a robotização, o conteudismo inútil para a formação de agentes de transformação da sociedade? O que temos feito nas escolas para ensinar que a riqueza material e o consumismo exagerado não são sinônimos de felicidade?  Frei Betto, no seu livro Diálogos, coadjuvado por Cortella, nos ensina: só vamos resgatar a dimensão da esperança, principalmente nos mais jovens, se recuperarmos a percepção do tempo como história. Sem ela não há como fazer projeto. Ao não termos projetos, ficamos absolutamente vulneráveis à racionalidade sistêmica, que é elitista, excludente – enfim, necrófila, que produz vida para alguns à custa da morte de bilhões.
Vivemos uma época do midiático e do imagético. O que vale é o aqui e o agora e a fama, a beleza, a riqueza. Afinal de contas, quem  tem ensinado aos nossos jovens a valorizar a experiência dos idosos, dos nossos pais, avós, tios? Quem educa para combater o que é descartável, efêmero? Onde nossas crianças e jovens têm visto, têm aprendido que a felicidade verdadeira acontece de dentro para fora e não ao contrário? Há quem lhes ensine o valor das pequenas cosias? Há quem lhes faça ver a importância da honestidade, da fidelidade, da dignidade? Onde é possível ver que a paz vale a pena? Em que lugar podemos enxergar que ser do bem é a melhor opção?
“É! / A gente quer viver pleno direito / A gente quer viver todo respeito / A gente quer viver uma nação / A gente quer é ser um cidadão / A gente quer viver uma nação...”    
Mas quem ensina a ler de forma polissêmica? Quem ler em casa? Quem disse que tantas horas no  Facebook devem ser subtraídas por momentos de autoconhecimento, de informação, de literatura? Quem mais conta histórias para os filhos menores? Quem propaga o bem que faz ver, pensar e agir? Quem  possibilita nossas crianças e jovens ao sonho? Quais são os ídolos de nossos jovens?  Que tipo de referência materna e paterna tem todos eles? Quais os filhos experimentam dos pais exemplos e ensinamentos de afeto e autoridade? No sistema capitalista só há lugar para consumidores. Quem não faz parte desta elite, sofre de exclusão. Então, valoriza-se mais um plantão, mais um expediente, mais uma empresa, mais um emprego, mais dinheiro...menos família...menos humanização. 
“Ame ao próximo como a si mesmo”, disse Jesus. Qual a dimensão de amor que temos por nós próprios?
Ama-se quando se faz exames médicos preventivos. Ama-se quando se alimenta de forma equilibrada. Ama-se quando se curte estar com familiares e amigos só pra conversar. Ama-se quando se cultiva o silêncio e se percebe a divina telha de vidro a refletir arabescos de sol nos ladrilhos da vida.  Ama-se quando se permite amar-se. Assim, compartilhando momentos de paz interior e saúde é possível transcender o amor...
                Por fim, destaco que não é á toa que nossos jovens estão cada vez mais buscando nas drogas o que não encontram em si próprios: esperança. Ela atinge todas as classes sociais, pois todos estão vulneráveis quando não convivem em harmonia, em sintonia, em família, em Deus. Indago ainda: Qual a política antidroga dos governos anteriores e atuais? Insensibilidade ou incapacidade? A maior obra, senhores governantes, está em priorizar o ser humano. A melhor obra, senhores políticos, está na valorização daquilo que proporciona dignidade aos cidadãos.  Segundo Cortella, a tragédia não é quando um homem morre; a tragédia é aquilo que morre dentro de um homem enquanto ele ainda está vivo”. Ajudem-nos a manter viva a chama da esperança de um mundo melhor para todos. Aos demais, um pedido que comungo com Gabriel Pensador:
Muda que quando a gente muda o mundo muda com a gente
A gente muda o mundo na mudança da mente
E quando a mente muda a gente anda pra frente
E quando a gente manda ninguém manda na gente!
Na mudança de atitude não há mal que não se mude nem doença sem cura
Na mudança de postura a gente fica mais seguro
Na mudança do presente a gente molda o futuro!
Até quando você vai ficar levando porrada,
até quando vai ficar sem fazer nada
Até quando você vai ficar de saco de pancada?
Até quando?
 21/08/13

17 de mai. de 2013

CAOS



Como é triste ver :
Uma sociedade preconceituosa, midiática, imagética.
Uma comunidade sem atitude diante de tantas mazelas.

Como é triste ver:
Uma imprensa parcial que não discerne,  não alimenta.
Uma programação televisiva que quase  nada acrescenta.

Com é triste ver:
Uma juventude deteriorando-se pelas vias das drogas.
Uma, duas, tantas gerações focadas só no divertimento.

Como é triste ver:
Um povo que não lê, que não estuda para melhor ser.
Um número tão grande de gente sem ter o que dizer.

Como é triste ver:
Um corpo docente  sem  saber como encantar.
Um mundo de educadores deseducados.

Como é triste ver:
Uma enorme quantidade de gente que pensa que já sabe  tudo.
Uma população universitária que se forma e se deforma na desumanização.

Como é triste ver:
Um mundo tão consumista de menos sujeitos e mais objetos.
Uma religiosidade  de uma gente insensível e desconecta da teoria cristã.

Como é triste ver:
Uma pai e uma mãe que não priorizam a educação dos filhos.
Uma família sem referência de autoridade e afetividade.

Como é bom  ver:
Uma esperança que surge naqueles que acreditam na educação e no amor.
Uma certeza: não se pode  esvanecer, pois  o caos não pode prevalecer.

Aldo Luna – 8/05/13