2 de dez. de 2015

NÃO SÃO SÓ PALAVRAS





Acabo de ler com muita intensidade o livro Défict  de Atenção Tem Solução, pela editora Civilização Brasileira, de Carin Silveira, pedagoga, psicopedagoga e psicanalista formada na USP. Com ele, reflexões que esclarecem com contundência muitos aspectos relacionados às dificuldades de aprendizagem.
Mãe de uma bebê nascida precocemente, com baixo peso, problemas de oxigenação cerebral e vindo falar apenas após os quatro anos, o amor maternal fez enorme diferença, principalmente  quando essa criança entrou para a vida escolar.
Com dificuldades graves de atenção, a mãe foi buscar na ciência conhecimentos que pudessem escrever uma outra história para a sua filha. Em síntese, descobriu que diversos fatores e cuidados fortalecem o sistema nervoso saudável, condição sine qua non para o combate eficiente aos que têm TDAH, transtorno de déficit de atenção e hiperatividade. São eles: estimulação diversificada, que forma diferenciados caminhos neurais; pertencimento, valorização e sentir-se amado; movimento e sol; rotina diária, disciplina, regras e limites; suficientes horas de sono, especialmente antes da meia noite; leite materno; atenção ao papel nocivo de açúcares e farinhas refinadas;   cuidados com alimentos com excesso de agrotóxicos e substâncias neurotóxicas em geral; alimentação apropriada - sais  minerais e vitaminas e controle das verminoses.       
Com o êxito de seus estudos, muito bem compartilhado pela sua mãe cientista e o seu pai médico, Carin venceu. Hoje sua filha é médica e feliz.
Tenho lido, nesses últimos anos, que os transtornos de aprendizagem têm se multiplicado nas escolas brasileiras.  Infelizmente, os de indisciplina também. A verdade é que a família precisa refletir o que quer, e o sistema educacional precisa de mudanças urgentes, com novo currículo, com conteúdos úteis focados na leitura, na escrita, na formação de pensadores, de cidadãos.
Não há como aprender quando a criança não está feliz. Não há como educar  bem   sem a experiência prática do amor, do limite, da motivação, de uma alimentação adequada em casa e na escola.
 Fico imaginando, que se pedíssemos às nossas crianças para avaliarem os seus pais, quem passaria por média? Quem tiraria pelo menos a média nas seguintes disciplinas: ler historinhas; brincar; assistir tv com eles; conversar; ajudar nas tarefas; passear; tempo para beijar e abraçar os filhos; tempo para escutar as dúvidas; tempo para dizer não...?
Não nos parece paradoxal exigir que elas consigam ser dez, ser nove, ser oito, ser sete no conhecimento e na felicidade? Que tal permitir a ficha cair e construir uma nova história a partir de agora? A escola quer e precisa ser parceira em muitos capítulos para o bem de nossas crianças. Tenhamos, pois, nossos filhos com foco no para-brisa, não no retrovisor de nosso dia a dia.
Assim sendo, poderemos construir, num futuro próximo, uma sociedade mais solidária, mais amorosa, menos materialista, mais humana, mais feliz.     
Aldo Luna - 16/10/15