Acabo de ler com muita intensidade o livro Défict de Atenção Tem Solução, pela editora
Civilização Brasileira, de Carin Silveira, pedagoga, psicopedagoga e
psicanalista formada na USP. Com ele, reflexões que esclarecem com contundência
muitos aspectos relacionados às dificuldades de aprendizagem.
Mãe de uma bebê nascida precocemente, com baixo peso,
problemas de oxigenação cerebral e vindo falar apenas após os quatro anos, o
amor maternal fez enorme diferença, principalmente quando essa criança entrou para a vida
escolar.
Com dificuldades graves de atenção, a mãe foi buscar na
ciência conhecimentos que pudessem escrever uma outra história para a sua
filha. Em síntese, descobriu que diversos fatores e cuidados fortalecem o
sistema nervoso saudável, condição sine
qua non para o combate eficiente aos que têm TDAH, transtorno de déficit de
atenção e hiperatividade. São eles: estimulação diversificada, que forma
diferenciados caminhos neurais; pertencimento, valorização e sentir-se amado;
movimento e sol; rotina diária, disciplina, regras e limites; suficientes horas
de sono, especialmente antes da meia noite; leite materno; atenção ao papel
nocivo de açúcares e farinhas refinadas;
cuidados com alimentos com excesso de agrotóxicos e substâncias
neurotóxicas em geral; alimentação apropriada - sais minerais e vitaminas e controle das
verminoses.
Com o êxito de seus estudos, muito bem compartilhado
pela sua mãe cientista e o seu pai médico, Carin venceu. Hoje sua filha é
médica e feliz.
Tenho lido, nesses últimos anos, que os transtornos de
aprendizagem têm se multiplicado nas escolas brasileiras. Infelizmente, os de indisciplina também. A
verdade é que a família precisa refletir o que quer, e o sistema educacional
precisa de mudanças urgentes, com novo currículo, com conteúdos úteis focados
na leitura, na escrita, na formação de pensadores, de cidadãos.
Não
há como aprender quando a criança não está feliz. Não há como educar bem sem a experiência prática do amor, do limite,
da motivação, de uma alimentação adequada em casa e na escola.
Fico imaginando,
que se pedíssemos às nossas crianças para avaliarem os seus pais, quem passaria
por média? Quem tiraria pelo menos a média nas seguintes disciplinas: ler
historinhas; brincar; assistir tv com eles; conversar; ajudar nas tarefas; passear;
tempo para beijar e abraçar os filhos; tempo para escutar as dúvidas; tempo
para dizer não...?
Não nos parece paradoxal exigir que elas consigam ser
dez, ser nove, ser oito, ser sete no conhecimento e na felicidade? Que tal
permitir a ficha cair e construir uma nova história a partir de agora? A escola
quer e precisa ser parceira em muitos capítulos para o bem de nossas crianças.
Tenhamos, pois, nossos filhos com foco no para-brisa, não no retrovisor de
nosso dia a dia.
Assim sendo, poderemos construir, num futuro próximo,
uma sociedade mais solidária, mais amorosa, menos materialista, mais humana,
mais feliz.
Aldo Luna - 16/10/15