13 de fev. de 2015

CONTRA O SISTEMA



Estou bem próximo de completar trinta anos no mister de lapidar pedras preciosas. Na verdade, no firme propósito de ajudar a formar cidadãos do bem.  Gosto mesmo de ser chamado Educador, mesmo reconhecendo que essa é obrigação de pai e mãe. Afinal, não vejo valor em “conhecimento” dissociado de boas maneiras, de gentileza, de educação, de cidadania. Sem qualquer ímpeto de arrogância, característica  que abomino veementemente, sinto-me na condição de ter algo a acrescentar sobre educação escolar, sobre relações familiares, sobre um país em transe.
Às vezes penso que bebo da água da utopia. Mas tento imaginar o que passa no coração daqueles que não percebem que a felicidade é algo bem mais simples, bem mais próximo e gratuito. Acho que dar atenção aos filhos, curti-los com afetividade e autoridade, aliás, ter tempo para eles, não é impossível, é uma questão de prioridade. Onde está a real diferença entre amar os filhos e amar o dinheiro? Até que ponto ganhar mais representa um atestado de realização pessoal? O que se prefere: a alegria de um filho saudável e capaz  ou o sonho de se transformar num Tio Patinhas?
Vivemos um novo tempo, o tempo da era digital. Sem dúvidas, muita coisa mudou para melhor...  A tecnologia vem transformando o nosso cotidiano.  Tenho visto, entretanto, crianças com menos de cinco anos usando smartphones e tablets. O que sabemos sobre o bem e o mal disso? Por que se compra sem investigar os reais benefícios dos mesmos? Quantas horas por dia nossos jovens dedicam aos joguinhos eletrônicos e às redes sociais? Quanto tempo eles têm  dormido por dia? Quem sabe ler? Quem sabe escrever? Quem sabe se expressar oralmente? Quem tem discernimento? Quem está no comando? Estamos construindo juntos esse novo tempo...
O sistema educacional brasileiro, com práticas pedagógicas antiquadas e de conteúdos inúteis, em sua maioria, sem serventia para a formação de cidadãos conscientes e pensadores, marcha firmemente para a construção de uma sociedade inapta e torpe, cada vez mais. Por que a falta de ética campeia governos e empresas? Por que só em 2014 perdemos mais de 44 mil brasileiros por mortes no trânsito? Por que estamos nos tornando um país de obesos? Por que nossas fontes estão secando e água está se transformando em moeda rara nos maiores centros econômicos do Brasil? Por que a mídia manipula tanto o nosso povo? (...)
Na verdade, o momento requer profunda reflexão e ação dos governos,  dos estudiosos, das instituições e da sociedade civil como um todo. É urgente a mudança de uma grade curricular que contemple conteúdos exequíveis e úteis para a formação de pensadores e de uma nova geração de brasileiros do bem. Caso  contrário, estaremos fadados a perder de 7 x 1 para os gananciosos, inescrupulosos e parvos de ontem e de hoje.

Aldo Luna – 13/02/15