Estou bem próximo
de completar trinta anos no mister de lapidar pedras preciosas. Na verdade, no
firme propósito de ajudar a formar cidadãos do bem. Gosto mesmo de ser chamado Educador, mesmo
reconhecendo que essa é obrigação de pai e mãe. Afinal, não vejo valor em “conhecimento”
dissociado de boas maneiras, de gentileza, de educação, de cidadania. Sem
qualquer ímpeto de arrogância, característica
que abomino veementemente, sinto-me na condição de ter algo a
acrescentar sobre educação escolar, sobre relações familiares, sobre um país em
transe.
Às vezes penso
que bebo da água da utopia. Mas tento imaginar o que passa no coração daqueles
que não percebem que a felicidade é algo bem mais simples, bem mais próximo e
gratuito. Acho que dar atenção aos filhos, curti-los com afetividade e
autoridade, aliás, ter tempo para eles, não é impossível, é uma questão de
prioridade. Onde está a real diferença entre amar os filhos e amar o dinheiro?
Até que ponto ganhar mais representa um atestado de realização pessoal? O que
se prefere: a alegria de um filho saudável e capaz ou o sonho de se transformar num Tio
Patinhas?
Vivemos um novo
tempo, o tempo da era digital. Sem dúvidas, muita coisa mudou para
melhor... A tecnologia vem transformando
o nosso cotidiano. Tenho visto,
entretanto, crianças com menos de cinco anos usando smartphones e tablets. O que sabemos sobre o bem e o mal disso? Por
que se compra sem investigar os reais benefícios dos mesmos? Quantas horas por
dia nossos jovens dedicam aos joguinhos eletrônicos e às redes sociais? Quanto
tempo eles têm dormido por dia? Quem sabe ler? Quem sabe escrever? Quem sabe
se expressar oralmente? Quem tem discernimento? Quem está no comando?
Estamos construindo juntos esse novo tempo...
O sistema
educacional brasileiro, com práticas pedagógicas antiquadas e de conteúdos inúteis,
em sua maioria, sem serventia para a formação de cidadãos conscientes e
pensadores, marcha firmemente para a construção de uma sociedade inapta e
torpe, cada vez mais. Por que a falta de ética campeia governos e empresas? Por
que só em 2014 perdemos mais de 44 mil brasileiros por mortes no trânsito? Por
que estamos nos tornando um país de obesos? Por que nossas fontes estão secando
e água está se transformando em moeda rara nos maiores centros econômicos do
Brasil? Por que a mídia manipula tanto o nosso povo? (...)
Na verdade, o
momento requer profunda reflexão e ação dos governos, dos estudiosos, das instituições e da
sociedade civil como um todo. É urgente a mudança de uma grade curricular que
contemple conteúdos exequíveis e úteis para a formação de pensadores e de uma
nova geração de brasileiros do bem. Caso
contrário, estaremos fadados a perder de 7 x 1 para os gananciosos,
inescrupulosos e parvos de ontem e de hoje.
Aldo Luna – 13/02/15