Benedito
Gomes do Nascimento nasceu na cidade de Jardim-CE, no dia nove de março de 1931.
Filho de Joaquim Francisco e Ana Gomes. Teve uma vida bastante humilde. Cresceu
vendo seu pai fazer fogos de artifício, mas não teve o prazer de conviver muito
tempo com sua mãe, uma doméstica que foi para o andar de cima quando ele tinha
treze anos de idade. Assim, foi educado pela irmã Maria, a mais velha numa prole de doze filhos. Depois, em um segundo casamento, seu pai
ainda lhe deu mais oito irmãos.
Seus primeiros contatos com as letras foi na Escola
Reunida, em Jardim. Lá, fez o que hoje chamamos o Fundamental Anos Iniciais.
Nesse tempo, foi colega do amigo e compadre Napoleão Tavares Neves, grande
médico e historiador. Em Juazeiro, via supletivo, concluiu o restante dos seus
estudos Fundamental e Médio.
Em 22 de
julho de 1956, casou-se em Barbalha com
Maria Zenilda Luna do Nascimento. Deste enlace, nasceram os três primeiros
filhos em Jardim. São eles: Carlos Wagner Luna Gomes, Maria Neery Anne Luna
Gomes e Francisco Paceli Luna Gomes. Nessa época era funcionário balconista da
Farmácia Cruz Vermelha, de propriedade do Sr. Aristides Ancilon Aires de
Alencar, onde permaneceu no período entre 01/01/1952 a 30/01/1960. Após o
casamento, e em sociedade com a ajuda do padrasto de sua esposa, Aderson Sabino
Rocha, abriu uma farmácia, a Cândido Gomes & Cia em 1960. Sem tino
comercial e extremamente solidário com o povo menos favorecido da época, entrou
em falência dois anos depois. Seu amigo Napoleão evidenciou, certa vez, que era comum, em
altas horas, vê-lo entregando remédio sem nem abrir a porta da farmácia
completamente, apenas o suficiente para receber a receita, entregar o remédio e
ouvir o “amanhã eu venho pagar...” Ele
residia no primeiro andar e a farmácia funcionava no térreo em frente à Praça
Filgueira Sampaio.
Sem opção
de emprego, resolveu ir com a família tentar a sorte em Serrita-PE. Em mais uma
sociedade, agora com o senhor Chico Romão, e através de amizade com o compadre
José Franco, abriu nova farmácia. Nessa época, havia grandes problemas de falta
de água naquela cidade. Os filhos adoentados e sem assistência médica adequada,
foi obrigado a voltar para Barbalha quatro meses depois. Ao retornar, conseguiu
emprego na empresa Novo Mundo – Companhia Nacional de Seguros, no período de
01/09/63 a 30/05/1964. Em seguida, foi trabalhar no escritório da Fábrica de
Mosaicos Incas, de propriedade do Sr. João Gonçalves Primo. Lá, ficou até 1970,
saindo para a CECASA, Cerâmica do Cariri Sociedade Anônima, prestando seus
serviços também em escritório. Dois anos depois, foi contratado pela empresa Barreto
Sampaio Comércio Limitada, a atual Casa Sampaio e lá ficou no período entre
01/01/1972 a 14/03/1974. Aconselhado e motivado pelo Dr. Napoleão, em 1974, fez
o concurso para o então INPS, Instituto Nacional da Previdência Social.
Passando entre os cinco primeiros lugares, assumiu como auxiliar de serviços
Médicos na agência de Juazeiro do Norte.
Em 31/03/1974, assumiu em Barbalha o posto
de Servidor Residente do INPS(INSS hoje.). Com o
apoio de sua esposa e da Sra. Eunice Santana, prestou relevantes serviços aos
hospitais, à saúde pública, ao povo.
Nos anos
noventa recebeu o título de cidadão Barbalhense numa proposição da então
vereadora Marlene Grangeiro. Foi secretário de diversas entidades, como o
Conselho Vicentino, do Centro de
Melhoramento de Barbalha e também da Câmara Municipal...
Tendo sido proprietário de farmácia em Jardim e em
Barbalha, destacou-se pela sua habilidade em aplicar injeção. Tinha mãos macias
e um humor sempre vibrante. Muitas vezes, pernoitava na casa de doentes acometidos
de tuberculose e de outras enfermidades de época, salvando vidas.
Católico
fervoroso, participou do Grupo de Casais com Cristo, criado pela igreja com a
finalidade de unir os casais numa vertente ainda mais solidária e de solidez
matrimonial. Logo, tornou-se um dos primeiros ministros da Eucaristia. Durante
muitos anos, secretariou também os leilões da tradicional Festa de Santo
Antônio.
Benedito sempre amou a música, a família, a Língua
Portuguesa e a prestação de serviços. Realizava-se em ver os outros felizes,
satisfeitos. Não havia grosseria no seu dicionário. Muito pelo contrário. Ao
encontrar amigos nas ruas de nossa cidade e no seu torrão natal, ele sempre os
parava para contar um fato jocoso. Ele sentia necessidade de ver os outros
contentes.
Foi um
pai que falava pelos gestos sempre harmoniosos e éticos. Foi um avô
participativo no apoio à formação de seus netos, priorizando sempre tempo para
brincar e vê-los crescer na paz, no amor, numa vida cristã.
Foi um marido carinhoso e engraçado. Fazia piadas
até nos momentos que exigia seriedade. Seu olhar, porém, dizia muito...
De fato,
Benedito fez da vida um grande brinquedo. Passava horas gravando fitas cassetes
com músicas de alto nível só para presentear os amigos e começar uma boa
conversa.
Certo dia,
começou a esquecer onde morava. A audição foi perdendo nível. A alegria foi
dando lugar a um passado mais distante. Como filho que perdeu a mãe quando ele
ainda era criança, chamava por ela e queria voltar para “casa”. Mesmo com todo
o esforço da família em busca do tratamento do Mal de Alzheimer, em menos de
três meses, acamou-se e passou aproximadamente nove anos apenas nos dando o
prazer de vê-lo fisicamente. Não sentia dores físicas. Não nos conhecia. Não
falava. Mal abria os olhos. Mas o que fez em vida saudável, deixou marcas
indeléveis em cada membro familiar, e da forma mais bonita. No dia 5 de abril
de 2017, numa madrugada de quarta-feira, ele partiu definitivamente. Cumpriu a
sua missão de agente do amor, da alegria, do bom senso e da ética.