Quando nasce um filho, a alegria imensurável dos pais é notória e reflete em cada gesto um afeto, uma amor em concreto. Mas o tempo não para e logo vem o processo de aprendizagem da fala, dos primeiros passos, da contagiante alegria de um crescimento inevitável. Só sabe o tamanho dessa felicidade quem por ela passa.
Vem então o primeiro ano escolar. E como é duro deixar o filho na escola pela primeira vez. Assumir essa dicotomia causa dor, mas não tem jeito. A alegria de comprar o uniforme e o material escolar nos faz olhar para frente e, assim, administrar-se melhor a tristeza da separação. E dessa forma serão os próximos anos escolares na primeira fase estudantil desse novo ser.
Após uma década, aumenta e muito o olhar para aquela criança. O nível conteudista estudantil exige estudo mais apurado e à beira da adolescência o rigor ao horário de estudo é a melhor condução para quem ama. Mas alguém tem que liderar, tem que comandar e manter nos trilhos as regras de um filho que precisa vencer. São tarefas escolares para cumprir, é uma educação até em frases na parede para reforçar a memória...
E quando as dificuldades surgem é indispensável que haja alguém que com uma força que só tem os heróis, ultrapasse barreiras aparentemente intransponíveis. Mas o que é mesmo o amor materno senão o amor maior?
Mas todo exemplo que tem a cor do pai, algum dia, vem refletir ou na suavidade dos gestos ou na escolha profissional. Não tem jeito, amor de pais, amor demais. E quem pode ir contra a força imensurável da determinação e da responsabilidade?
Imagine, então, um filho que há tão pouco tempo estava em casa e agora enfrenta uma capital. Primeiro, um apartheid numa dimensão ainda mais densa, com ar de noites sem dormir e preocupações em cada parede da casa. Afinal de contas, pela primeira vez, tão distante, o filho é que tem que resolver enfrentar as intempéries que a vida traz. Mas contra isso não há remédio. E assim foi.
Mas eis que o filho, distante do seu amor maior, passa por dificuldades que chegam a ser dúvidas. Continuar ou não? Voltar e tentar outros caminhos ou não? Mais uma vez, as mãos poderosas dos pais sustentam o embaraço e mantêm viva a chama da persistência no filho que tanto amam. Afinal de contas, o que pode ser um filho de heróis se não um pequeno herói?
E ele conclui e festeja hoje a sua formatura. Um ciclo se fecha para novos serem abertos. A vida é assim, quando o amor, a convicção, o trabalho, a fé e a atitude dizem sim. Por isso, nesta data tão especial para todos nós, parabenizo ao concludente e aos familiares e também me felicito pela alegria de ver Ícaro formado e seus pais, também meus irmãos, emocionados por verem o primeiro sonho realizado.
21/04/10